Camaleônica

Dia Mundial Sem Carro 2009.

Por Lis Comunello ● 21/09/2009

O Dia Mundial Sem Carro foi comemorado pela primeira vez na França, em 1998. O Brasil só aderiu em 2001. Espero que, ao contrário do ano passado, Curitiba faça bonito neste 22 de Setembro. Este ano a URBS (Urbanização de Curitiba S/A) organizou a Semana do Trânsito, iniciada na última sexta-feira, 18/09, que vai até dia 23/09, próxima quarta-feira.

A programação é bacana, mas eu quero falar mesmo é sobre o que podemos fazer para tornar a vida sem carro mais agradável – a quantidade de automóveis em Curitiba é assustadora.

Deixe o carro em casa. O meio ambiente e a sua saúde agradecem. Imagem: Prefeitura de Curitiba, livre para download.

Você, motorista, tem idéia das dificuldades que os ciclistas e pedestres enfrentam? É preciso dar sinal/ligar o pisca/dar seta/o termo que você preferir para todos, não só para os carros. Fazer uma conversão sem sinalizar pode causar atropelamento de pedestres e/ou ciclistas, não são só os outros motoristas que precisam saber pra qual lado você irá.

Leia o post da Lu Freitas para conhecer os depoimentos de algumas Luluzinhas que preferem usar bicicleta, ônibus, metrô ou andar a pé – sim, preferem, muita gente escolhe não ter carro. Aproveite e veja também dicas para ciclistas e motoristas sobre comportamento no trânsito.

Mas vamos falar dos ônibus em Curitiba. Qual o motivo de tantas pessoas não gostarem de pegar ônibus aqui? Não, não é só pela comodidade de pegar o carro na garagem e ir até o trabalho sem ter que caminhar até o ponto de ônibus. Quando converso com amigos sobre isso, a reclamação nunca é essa: são problemas relativos à administração das linhas de ônibus e também à (falta de) educação de muitos passageiros com os quais dividimos a viagem.

É verdade que precisamos de mais ônibus em horários de pico, pois justamente nos horários em que mais pessoas precisam de transporte as linhas estão sempre abarrotadas e chamar os passageiros de sardinha enlatada é pouco: é um desafio à Lei da Física que afirma não ser possível dois corpos usarem o mesmo lugar no espaço.

Estação tubo vazia? Nunca nos horários em que a população mais precisa do transporte público. Imagem: xander76, em CC.

Uma alternativa – excelente, aliás – para diminuir o número de pessoas que precisam de transporte diário é o home office. Quanto mais empresas adotarem esse sistema, melhor para todos: menos congestionamentos; ar menos poluído por monóxido de carbono; trabalhador mais motivado por não ter que enfrentar diariamente as dificuldades do trânsito (resultando em maior e melhor produtividade); empresas com redução de custos e de investimentos – por exemplo em transporte e até mesmo em espaço físico, afinal há menos funcionários trabalhando no local da empresa.

Mas home office é assunto para outro post e depende da abertura dos empresários. Existem coisas que nós, usuários do transporte público, podemos fazer: sermos educados. Sejamos conscientes: a porta 3 dos ônibus bi-articulados não é local para ficarmos parados, não é coisa de gente educada.

Semana passada presenciei uma situação bizarra. Dezenas de pessoas amontoadas na porta 3, enquanto o resto do ônibus tinha espaço de sobra, portanto é evidente que as pessoas que precisavam entrar foram tentando passar, eu inclusa. Quando eu já estava alcançando uma área mais livre do ônibus, ouvi uma mulher exclamar lá na porta 3: “mas não dá pra ver que está cheio de gente? Esperem outro ônibus!”.

Azeda que sou, precisei me controlar para não responder que sim, dava para ver que ali estava cheio de gente. Cheio de gente mal educada e no mínimo uma delas também abusada, pois não bastasse estar parada no lugar errado ainda se achou no direito de reclamar.

Que absurdo é esse? Pára no lugar errado e acha que os outros devem se atrasar para seus compromissos só para que ela possa permanecer onde não deve? Que neurose é essa? Depois tem gente que não entende quando eu digo que perdi a fé na humanidade.

Ministério da Saúde, publicitários, por favor, façam uma campanha sobre a importância do tratamento psicológico; desmistificando psicólogos, psicanalistas e terapeutas. A maior parte da nossa sociedade precisa de tratamento urgente, são neuroses demais pra um país só. E aqui estou falando só do Brasil, mas é evidente que lá fora também há milhares de pessoas que precisam aprender que dinheiro e interesses particulares não podem estar acima da saúde, do bom senso, da educação.

Outra reclamação constante entre os usuários de transporte coletivo é sobre as pessoas que ouvem música no ônibus sem fone de ouvido. Se você faz isso, acredite: não é bacana, não é bonito, não é educado – é um tremendo “King Kong”. Caso os outros passageiros também gostem do mesmo tipo de música que você eles irão ouvir essas músicas por si mesmos, não se preocupe em fazer todos ouvirem o que você está escutando.

Fone de ouvido é legal. Quem não usa é feio, bobo e chato. Imagem: sflovestory, em CC.

Nesta terça-feira eu irei andar de ônibus como sempre, mas desta vez espero ver as ruas com muito menos carros. E sem ninguém parado na porta de embarque e/ou ouvindo música sem fones de ouvido. Não custa nada ser educado e não são só as autoridades que devem fazer algo pelo bem do transporte coletivo.

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3 Respostas para "Dia Mundial Sem Carro 2009."

1 | Lis Comunello

22 de setembro de 2009 ● 3:24 pm

@euachoqueeh Quem não usa fone de ouvido pra ouvir música no ônibus é feio, bobo e chato. http://migre.me/7uIP

2 | Veridiana

14 de outubro de 2009 ● 5:25 pm

Adorei seus comentários sobre a falta de civilidade das pessoas no transporte público. Sou uma usuária de ônibus e metrô e não vejo nada de degradante nisso, mas a falta de educação das pessoas desanima…

3 | Lis Comunello

18 de outubro de 2009 ● 10:19 am

Desanima mesmo Veridiana. O jeito é respirar fundo e continuar tentando conscientizar as pessoas. Precisamos fazer uso de transporte público mais do que nunca, uma hora as pessoas têm que aprender.

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