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	<title>Camaleônica &#187; Meme</title>
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		<title>Primeiras leituras.</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 06:51:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lis Comunello</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meme]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem me convidou foi a Srta. Bia e  o meme se trata do primeiro livro lido na vida. Só que eu tenho memória de peixinho dourado, não consigo lembrar qual foi. O que eu lembro é que, assim como o Alessandro Martins, meu primeiro livro lido eu não li realmente.

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem me <a href="http://srtabia.com/2010/07/meu-primeiro-livro/" target="_blank">convidou foi a Srta. Bia</a> e  o meme se trata do primeiro livro lido na vida. Só que eu tenho memória de peixinho dourado, não consigo lembrar qual foi. O que eu lembro é que, <a href="http://livroseafins.com/primeiro-livro/" target="_blank">assim como o Alessandro Martins</a>, meu primeiro livro lido eu não li realmente.</p>
<p>Conta minha mãe que, aos 2 anos, minha diversão preferida era fazer com que lessem para mim. E as primeiras leituras na verdade não eram livros, eram os gibis do <a href="http://www.monica.com.br/mauricio-site/" target="_blank">Maurício de Sousa</a>. Os livros infantis vieram em seguida, mas antes deles eu monopolizava a atenção de algum adulto pelo máximo de tempo que eu conseguisse para que lesse para mim.</p>
<p>Ganhei a assinatura dos gibis, mas achava que eram poucos que chegavam a cada semana, pois eram lidos rapidamente. Aos 3 anos eu folheava os gibis e ia contando as histórias em voz alta, fingindo que estava lendo &#8211; eu já tinha decorado muitas de tanto que fazia os outros lerem para mim.</p>
<p>Mas embora eu não lembre qual foi o primeiro livro, recordo-me de outros que li depois. Vejo os títulos das obras da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_volumes_da_cole%C3%A7%C3%A3o_Vaga-Lume" target="_blank">Coleção Vagalume</a> e boa parte deles me soa familiar. Alguns em especial me fazem sorrir, ainda que eu n<img style="margin: 0px 0px 10px 10px; display: inline; border-width: 0px;" title="A Mina De Ouro - Maria José Dupré" src="http://www.camaleonica.net/wp-content/uploads/2010/07/MinaDeOuro.jpg" border="0" alt="A Mina De Ouro - Maria José Dupré" width="162" height="240" align="right" />ão me lembre da história de todos.</p>
<p>Por exemplo: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Montanha_Encantada" target="_blank"><em>A Montanha Encantada</em></a> e <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Mina_de_Ouro_(Maria_Jos%C3%A9_Dupr%C3%A9)" target="_blank">A Mina de Ouro</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Jos%C3%A9_Dupr%C3%A9" target="_blank">Maria José Dupré</a>. Ah, <em>A Mina de Ouro</em>… Lembro-me de tentar desenhar a capa &#8211; em vão, é claro, até hoje não sei desenhar sequer um patinho usando o 2. <em>As Aventuras de Xisto</em> e <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Escaravelho_do_Diabo" target="_blank">O Escaravelho do Diabo</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcia_Machado_de_Almeida" target="_blank">Lúcia Machado de Almeida</a>. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Mist%C3%A9rio_do_Cinco_Estrelas" target="_blank"><em>O Mistério do Cinco Estrelas</em></a> e <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Rapto_do_Garoto_de_Ouro" target="_blank">O Rapto do Garoto de Ouro</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Rey" target="_blank">Marcos Rey</a>. Entretanto, por mais que eu não me lembre do primeiro livro que li e reconheça os títulos da Coleção Vagalume, recordo-me muito bem do primeiro livro “de gente grande” que li.</p>
<p>Aqueles tantos livros na estante, que minha mãe tinha e eu, antes mesmo de aprender a ler, ficava admirando. Sentava no chão e ficava ali olhando aquelas capas coloridas, sonhando com o dia em que poderia lê-los. Quando aprendi a ler, minha mãe dizia que não eram para mim, que eu precisava crescer mais um pouco. Um dia me “rebelei”: escolhi um livro da estante e fui para o quarto escondida. Comecei a chorar nas primeiras páginas e não parei mais.</p>
<p><img style="margin: 0px 10px 10px 0px; display: inline; border: 0px;" title="Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcelos" src="http://www.camaleonica.net/wp-content/uploads/2010/07/MeuPeDeLaranjaLima1.jpg" border="0" alt="Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcelos" width="160" height="240" align="left" />Zezé tinha 5 anos, mas gostava de dizer que tinha 6. Era o segundo mais novo dentre os irmãos &#8211; Luís, Totoca, Glória e Jandira. Sua mãe trabalhava duro para sustentar a família, seu pai estava desempregado e dava surras homéricas em Zezé. Logo no início do livro a família se muda para uma casa menor e Zezé faz um amigo muito especial: o pé de laranja lima que havia no quintal. Zezé aprontava, mas seu sofrimento é de partir o coração. Ele não era o diabo que pintavam e não era apenas por dó das surras que ele levava que eu chorava.</p>
<p>Zezé era um ótimo aluno, adorava sua professora (era o único da turma que levava flores para ela) e, embora a comida faltasse em casa e vestisse farrapos, compadecia-se com o sofrimento alheio. A professora às vezes lhe dava dinheiro para comprar um sonho na hora do recreio e ele dividia o doce com uma garotinha.</p>
<blockquote><p><span style="font-family: verd;">- A Dorotília é mais pobre do que eu. E as outras meninas não gostam de brincar com ela porque é pretinha e pobre demais. Então ela fica no canto sempre. Eu divido o sonho que a senhora me dá, com ela. […] A senhora de vez em quando, em vez de dar para mim, podia dar para ela.” (p. 77)</span></p></blockquote>
<p>Além do pé de laranja lima, outro grande amigo de Zezé era o português Manuel Valadarez. E é durante as conversas com o português que aparece a maior parte das palavras de Zezé a respeito de si:</p>
<blockquote><p>- Portuga, olhe para minha cara. Cara não, focinho. Lá em casa dizem que eu tenho focinho porque não sou gente, sou bicho, sou índio Pinagé, sou filho do diabo. […] Eu não presto mesmo. Sou tão ruim que quando chega o Natal acontece aquilo: nasce o Menino Diabo em vez do Menino Deus! (p. 147)</p></blockquote>
<p><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Meu_P%C3%A9_de_Laranja_Lima" target="_blank">Meu Pé de Laranja Lima</a></em>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Mauro_de_Vasconcellos" target="_blank">José Mauro de Vasconcelos</a>, foi o livro que mais me emocionou até hoje. Embora eu tenha gostado tanto de alguns livros lidos antes ao ponto de relê-los várias vezes, foi a história do menino travesso que vivia sendo espancado que me ensinou o quanto palavras escritas podem emocionar. E apesar de eu já ter relido o livro inúmeras vezes, a cada nova leitura eu choro tudo de novo, da primeira à última página.</p>
<p style="text-align: center;">**********</p>
<p>O livro que li tem capa diferente da que ilustra o post. É parte de uma coleção do José Mauro de Vasconcelos, capa dura e verde, que minha mãe tem desde antes de eu nascer. Os detalhes e texto da lombada, antes brancos e dourados, hoje são amarelo escuro, castigados pelo tempo &#8211; e eu não me desfaço desse livro sob nenhuma hipótese, o valor sentimental é imenso.</p>
<p>As passagens citadas no post foram retiradas do livro que tenho: Vasconcelos, José Mauro de. <strong>Meu Pé de Laranja Lima</strong>. 17ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 1968.</p>
<p>Para continuar o meme, convido <a href="http://carolsisba.blogspot.com/" target="_blank">Carol Berthold</a>, <a href="http://www.dicasdefotografia.com.br/" target="_blank">Claudia Regina</a>, <a href="http://dafninascimento.org/" target="_blank">Dafni Nascimento</a>, <a href="http://drang.com.br/blog/" target="_blank">Denise Rangel</a> e <a href="http://www.ladybugbrazil.com/" target="_blank">Lucia Freitas</a>.</p>
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