Camaleônica

Michel Teló, a irrelevância e o centro do universo

Por Lis Comunello ● 05/01/2012

Não sei há quanto tempo Michel Teló está fazendo sucesso, só fiquei sabendo da existência dele há menos de um mês. Foi quando telefonei para minha mãe e, ao perguntar como estava minha irmã, minha mãe disse que naquele dia chegaria mais tarde do trabalho porque iria entrevistar o Teló (pra quem não sabe, minha irmã é jornalista). Tive que googlar, eu não fazia a menor ideia de quem era o cara. Googlei e não gostei. No dia seguinte alguém falou dele no Twitter e aqui torci meu nariz. Então veio a epifania.

Eu me lembrei de uma história que meu professor de História da Arte me contou sobre uma situação ocorrida após uma aula em uma turma de Jornalismo. Ele havia exibido para a turma um filme do Eisenstein e, ao final da aula, enquanto alguns alunos foram tirar dúvidas, uma aluna veio reclamar.

- Odiei o filme, Eisenstein é um saco, não quero fazer resenha sobre ele.

- Filha, sua opinião sobre o Eisenstein é irrelevante.

O professor ia continuar, mas a menina ficou tão emputecida que virou as costas e saiu “chutando pedra”. Ele continuou falando para os alunos que ainda estavam ali.

 - A minha opinião sobre o Spielberg é igualmente irrelevante. O cara já se fez, já se consagrou, já entrou pra história do cinema, que diferença faz se eu gosto dele ou não? Minha opinião sobre o cara não interessa pra nada. Na verdade, não gostar dele é até pior pra mim, porque tenho que conhecer o trabalho dele do mesmo jeito porque sou professor de História da Arte, seria até melhor pra mim se eu gostasse dele.

O centro do universo.

Perfecto Insecto, em CC.

 

Não preciso conhecer as músicas do Michel Teló para fazer bem meu trabalho. Ou pelo menos ainda não precisei, sabe lá se um dia vou precisar. Mesmo assim não gostar dele é pior pra mim: a música dele toca em quase todos os lugares por onde passo. Melhor então que, já que não gosto do que ele canta, que pelo menos as músicas não me irritem. Entendi a irrelevância da minha opinião sobre ele no mesmo instante em que me lembrei da situação ocorrida com meu ex-professor. A partir de então, toda vez que escuto o cara, tenho que segurar o riso.

Eu vejo e acho graça. Da música, da galera dando gritinhos histéricos nos shows dele, dos estrangeiros enlouquecidos pela música, do pessoal que fala mal. Porque né?, e daí esse tanto de gente que não gosta? Que diferença faz? Narizes torcidos não vão fazer o cara deixar de ganhar dinheiro, de fazer show em tudo que é canto do Brasil, de ter uma imensidão de fãs mundo afora. Já que minha opinião sobre ele é irrelevante, melhor que eu ache graça.

 

 

PS: pra quem gosta do Teló, segundo minha irmã ele é “querido, simpático e humilde”. Mas não sei se essa informação é relevante. ;o)

Como desarmar uma mulher.

Por Lis Comunello ● 21/10/2010

Depois que ela lhe der uma bronca fenomenal por você ter enviado spam eleitoral, elogie. Diga que adora o jeito dela de ser direta, que gosta de mulheres de personalidade forte e inteligentes. E convide pra ir ao cinema.

Se ela estiver acostumada a ver homens correrem depois de uma bronca feito criancinhas assustadas, pode ser que se engasgue com a água. Finja que não percebeu o real motivo da tosse e pergunte se ela está melhor da garganta. Ofereça-se para levar remédio, mesmo que isso signifique atravessar a cidade.

Ela vai esquecer o spam eleitoral enquanto tenta entender o que aconteceu. Garanto.

 

Imagem: Specialrobotdog, em CC.

Estado Laico, religiosos e o aborto.

Por Lis Comunello ● 11/10/2010

Quero compartilhar com você um vídeo do Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, falando sobre a necessidade de separar Estado de religião. Ele fala sobre os EUA, mas a situação no Brasil é exatamente a mesma.

Este vídeo foi indicado pela Juliana Garcia Sales nos comentários do excelente post 5 mitos sobre a legalização do aborto no site do LuluzinhaCamp. Decidi trazer o vídeo para cá porque além de explicar muito bem porquê precisamos separar a religião de questões políticas, legislativas e judiciárias, confesso que estou cansada de repetir argumentos a favor da legalização do aborto e ouvir sempre a mesma coisa: é assassinato, é pecado. Quem defende a criminalização nem presta atenção no que dizem o favoráveis à legalização, apenas ficam repetindo a mesma coisa feito discos furados (yes, eu sou do tempo em que os vinis dominavam).

Aos que gostam de dizer que é pecado, proponho o mesmo que Obama: “antes de nos empolgarmos, vamos ler nossas Bíblias agora”. Quem sabe assim você encontre as diversas passagens onde Deus diz que deu a todos o livre arbítrio – e que você não tem o direito de tirar o livre arbítrio de ninguém. Deus não coloca condições para que seja respeitado o livre arbítrio dos outros, ou seja, você não tem o direito de escolher pelos outros em nenhuma situação. Simples assim. Antes de se achar no direito de cobrar que os outros não pequem, cuide para que você mesmo não peque – e se você obedecer a Deus, não vai se meter no pecado dos outros.

Isso considerando que aborto seja pecado – é para uns, não para todos e, se você é cristão, tem obrigação cristã de respeitar a escolha dos outros, independente de qual seja. Duvida? Leia a Bíblia. Eu, que não sigo religião alguma, já a li quatro vezes inteira, de ponta a ponta. E você, que tanto insiste em apontar o dedo para os outros acusando-os de pecadores e assassinos, conhece a Bíblia inteira? Leu de ponta a ponta quantas vezes? Ler apenas trechos aleatórios não adianta porque não contextualiza, é preciso ler do começo ao fim. Não é assim que fazemos com os livros para que possamos compreender tudo que está nele? Leia e assim encontrará todas as passagens nas quais fica muito claro que, quando alguém peca, isso é apenas entre Deus e o pecador. Aposto que, quando é você faz algo que julga errado, rapidamente cita o famoso “não julgueis para não ser julgado”. ¬¬

Em resumo – curto e grosso, que minha paciência com hipocrisia já ultrapassou todos os limites: não se meta na vida alheia, Deus não lhe deu esse direito; se alguém está pecando aos olhos de Deus, não é da sua conta. Deus usa outras palavras na Bíblia, mas é esse o recado que está lá.

Existem vários outros pontos a serem debatidos a favor da legalização do aborto, mas este post é pra falar da questão religiosa. Peço desculpas se o texto lhe soou agressivo, admito que estou realmente farta de cristãos me trollando no Twitter com este assunto. Quem me acompanha , deve ter visto o quanto fui agredida nos últimos tempos por conta disso. Esse pessoal não consegue nem distinguir a diferença entre ser a favor da legalização do aborto e ser a favor do aborto, então uso meu blog para dar minha resposta final aos que me surgirem usando princípios cristãos para justificar a prisão de mulheres. Usar Deus como desculpa para agredir mulheres é um pensamento iraniano demais pra minha cabeça.

(…) “a democracia exige que aqueles motivados pela religião traduzam suas preocupações em valores universais ao invés de específicos de uma religião. O que eu quero dizer com isso? Ela requer que as propostas delas estejam sujeitas à discussão e sejam influenciáveis pela razão.”

Barack Obama

#MusicMonday.

Por Lis Comunello ● 13/09/2010

Minhas músicas preferidas de todos os tempos da última semana. Mentira, do último mês.

MorcheebaEnjoy the Ride e Riverbed.

 

Morcheeba – Enjoy The Ride.

 

 

Morcheeba – Riverbed.
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É ou não é?

Por Lis Comunello ● 22/08/2010

Desde que coloquei a discografia inteira da Madonna no meu iTunes uma música está me intrigando. Antes que eu explique, ouça e me diga se essas notas musicais – ou sei lá como chama – fazem você se lembrar de alguma outra canção.

Reconheceu também ou estou maluca? O trecho a que me refiro começa aos 44 segundos do vídeo. Um pouco depois a melodia muda um pouco e, aos 1’15’’, inicia Music.

E aí que toda vez que a música entra no iTunes, “automagicamente” minha jukebox mental começa a cantarolar “uma luz azul me guia…”.

A música do Lulu Santos é do álbum Eu e Memê, Memê e eu, de 1995. Music Inferno faz parte do álbum gravado durante a turnê The Confessions Tour, de 2007 e Music é de 2000.

Diz aí: é parecido mesmo ou já podem mandar me internar?

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Imperdível. [publieditorial]

Por Lis Comunello ● 11/08/2010

Você já conhece o Imperdível? Nele você encontra, todos os dias, uma oferta incrível para você aproveitar os melhores lugares da sua cidade: bares, restaurantes, spas, shows…

 

Como funciona?

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Se você é de Curitiba, pode ganhar 1 ticket do Imperdível: basta dar RT no meu tweet e seguir o @imperdivel_ctb.

Vou sortear 1 ticket hoje, 1 amanhã e outro na sexta. E com o Imperdível tem chopp no John Bull Café por R$ 1,99, então retuíte e convide os amigos pra participar, quem sabe a gente marca um happy hour divertido e com precinhos imperdíveis! =)

 

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Update

O ganhador de hoje do ticket Imperdível foi o @AleTozzi!

O sorteio foi feito através do Sorteie.me, clique para conferir.

 

 

Siga-me no Twitter que amanhã e 6ª feira vão rolar mais 2 sorteios. =)

Radar #1.

Por Lis Comunello ● 29/07/2010

 

Sujismundo: povo desenvolvido é povo limpo.

Primeiras leituras.

Por Lis Comunello ● 20/07/2010

Quem me convidou foi a Srta. Bia e  o meme se trata do primeiro livro lido na vida. Só que eu tenho memória de peixinho dourado, não consigo lembrar qual foi. O que eu lembro é que, assim como o Alessandro Martins, meu primeiro livro lido eu não li realmente.

Conta minha mãe que, aos 2 anos, minha diversão preferida era fazer com que lessem para mim. E as primeiras leituras na verdade não eram livros, eram os gibis do Maurício de Sousa. Os livros infantis vieram em seguida, mas antes deles eu monopolizava a atenção de algum adulto pelo máximo de tempo que eu conseguisse para que lesse para mim.

Ganhei a assinatura dos gibis, mas achava que eram poucos que chegavam a cada semana, pois eram lidos rapidamente. Aos 3 anos eu folheava os gibis e ia contando as histórias em voz alta, fingindo que estava lendo – eu já tinha decorado muitas de tanto que fazia os outros lerem para mim.

Mas embora eu não lembre qual foi o primeiro livro, recordo-me de outros que li depois. Vejo os títulos das obras da Coleção Vagalume e boa parte deles me soa familiar. Alguns em especial me fazem sorrir, ainda que eu nA Mina De Ouro - Maria José Dupréão me lembre da história de todos.

Por exemplo: A Montanha Encantada e A Mina de Ouro, de Maria José Dupré. Ah, A Mina de Ouro… Lembro-me de tentar desenhar a capa – em vão, é claro, até hoje não sei desenhar sequer um patinho usando o 2. As Aventuras de Xisto e O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida. O Mistério do Cinco Estrelas e O Rapto do Garoto de Ouro, de Marcos Rey. Entretanto, por mais que eu não me lembre do primeiro livro que li e reconheça os títulos da Coleção Vagalume, recordo-me muito bem do primeiro livro “de gente grande” que li.

Aqueles tantos livros na estante, que minha mãe tinha e eu, antes mesmo de aprender a ler, ficava admirando. Sentava no chão e ficava ali olhando aquelas capas coloridas, sonhando com o dia em que poderia lê-los. Quando aprendi a ler, minha mãe dizia que não eram para mim, que eu precisava crescer mais um pouco. Um dia me “rebelei”: escolhi um livro da estante e fui para o quarto escondida. Comecei a chorar nas primeiras páginas e não parei mais.

Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de VasconcelosZezé tinha 5 anos, mas gostava de dizer que tinha 6. Era o segundo mais novo dentre os irmãos – Luís, Totoca, Glória e Jandira. Sua mãe trabalhava duro para sustentar a família, seu pai estava desempregado e dava surras homéricas em Zezé. Logo no início do livro a família se muda para uma casa menor e Zezé faz um amigo muito especial: o pé de laranja lima que havia no quintal. Zezé aprontava, mas seu sofrimento é de partir o coração. Ele não era o diabo que pintavam e não era apenas por dó das surras que ele levava que eu chorava.

Zezé era um ótimo aluno, adorava sua professora (era o único da turma que levava flores para ela) e, embora a comida faltasse em casa e vestisse farrapos, compadecia-se com o sofrimento alheio. A professora às vezes lhe dava dinheiro para comprar um sonho na hora do recreio e ele dividia o doce com uma garotinha.

- A Dorotília é mais pobre do que eu. E as outras meninas não gostam de brincar com ela porque é pretinha e pobre demais. Então ela fica no canto sempre. Eu divido o sonho que a senhora me dá, com ela. […] A senhora de vez em quando, em vez de dar para mim, podia dar para ela.” (p. 77)

Além do pé de laranja lima, outro grande amigo de Zezé era o português Manuel Valadarez. E é durante as conversas com o português que aparece a maior parte das palavras de Zezé a respeito de si:

- Portuga, olhe para minha cara. Cara não, focinho. Lá em casa dizem que eu tenho focinho porque não sou gente, sou bicho, sou índio Pinagé, sou filho do diabo. […] Eu não presto mesmo. Sou tão ruim que quando chega o Natal acontece aquilo: nasce o Menino Diabo em vez do Menino Deus! (p. 147)

Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, foi o livro que mais me emocionou até hoje. Embora eu tenha gostado tanto de alguns livros lidos antes ao ponto de relê-los várias vezes, foi a história do menino travesso que vivia sendo espancado que me ensinou o quanto palavras escritas podem emocionar. E apesar de eu já ter relido o livro inúmeras vezes, a cada nova leitura eu choro tudo de novo, da primeira à última página.

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O livro que li tem capa diferente da que ilustra o post. É parte de uma coleção do José Mauro de Vasconcelos, capa dura e verde, que minha mãe tem desde antes de eu nascer. Os detalhes e texto da lombada, antes brancos e dourados, hoje são amarelo escuro, castigados pelo tempo – e eu não me desfaço desse livro sob nenhuma hipótese, o valor sentimental é imenso.

As passagens citadas no post foram retiradas do livro que tenho: Vasconcelos, José Mauro de. Meu Pé de Laranja Lima. 17ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 1968.

Para continuar o meme, convido Carol Berthold, Claudia Regina, Dafni Nascimento, Denise Rangel e Lucia Freitas.

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Desligada mode on.

Por Lis Comunello ● 07/07/2010

- Alô.

- Oi, Lis.

- Quem está falando?

- Sou eu.

- Eu quem?

- Tua irmã! A mãe ‘tá aí?

Deve ser efeito prolongado da acupuntura que fiz ontem. Sempre fico dormindo em pé depois.

Tecnologia x relacionamentos.

Por Lis Comunello ● 02/05/2010

Na época em que o Google Latitude foi lançado uma música da Adriana Calcanhotto não me saía da cabeça.

E os devaneios? Abrir a porta de casa ou sair do trabalho e encontrar a pessoa amada ali, esperando para lhe fazer uma surpresa? “Onde você se meteu a tarde toda com o Latitude desligado?” e estragar o clima da surpresa que você estava prestes a receber? Com o Google Latitude, tudo isso – e muito mais – já era.

Se por um lado sou prática (outro dia falo sobre isso aqui), por outro sou uma romântica incurável. Acredito no amor que compartilha o que quiser espontaneamente, sem necessidade de perguntas. Quero poder acreditar em quem está comigo.

Se eu sentir ímpeto por tal controle sobre quem está comigo, por supervisionar cada um dos seus passos, então a relação tem sérios problemas. E não é o Google Latitude que vai resolver.


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